Criciúma (SC) / Manaus (AM)
Uma região com riquezas e belezas naturais únicas no mundo, mas, ao mesmo tempo, com um povo explorado, que sofre e luta por um novo amanhã, sem perder o amor e a felicidade em cada momento. Um cotidiano desconhecido pela maioria, muito diferente da Amazônia mostrada ao mundo como o maior tesouro brasileiro. Em meio a um cenário paradisíaco, mas de grandes desafios, um grupo de voluntários da região Sul Catarinense participará, a partir do dia 12 de dezembro, da Missão Amazônia V, organizada pelo Instituto Una, do Rio Grande do Sul.
Histórias que serão sempre lembradas
Continua após o anúncio
Fim do anúncio

Em 2018, a enfermeira obstétrica Jéssica Jacques trocou a rotina, dividida entre Imbituba, Tubarão e Criciúma, por uma missão de 15 dias com os povos ribeirinhos, dentro da Floresta Amazônica. “Palavras não descrevem o prazer e a gratidão por essa experiência. São vários os motivos que nos marcam, mas a situação de vulnerabilidade e falta de conhecimento são os fatores que mais mexeram comigo”, relembra. “Gosto sempre de salientar que vivi muito amor naquela região. O contato com a natureza, a felicidade nos olhos dos moradores, embora não tendo quase nada para viver, me traziam uma paz e lições inimagináveis. As crianças são fascinantes. A forma como elas te abraçam e te beijam deixam saudade. Todos os dias ao deitar, revivo vários momentos”, enaltece.
Não existe água encanada, encanamento, esgoto ou quaisquer serviços a que estamos acostumados”
Da capital do Amazonas até o destino foram quase dois dias de barco. “Do ponto de vista humano, foram várias dificuldades, pois estamos habituados a um estilo de vida completamente diferente. Saímos completamente da nossa zona de conforto para viver dentro da floresta Amazônica. Saímos de Manaus no primeiro dia da missão e realizamos todas as compras para a viagem: comida, higiene, utensílios, materiais para trabalhar”, conta. “Navegamos num barco com capacidade máxima para 600 pessoas. Dormimos em redes e só paramos quando chegamos. Chegamos em Coari, pegamos outro barco particular para a missão e navegamos mais 12 horas até chegar na Vila Monteiro. Lá, dormimos em redes, tomamos banho e lavamos as roupas no rio Amazonas”, ressalta, frisando que a comunidade não possuía energia elétrica ou sinal de celular. “O acesso é mínimo, tanto de pessoas, como de Órgãos Governamentais”, diz.

O acesso às refeições e à água foi um dos desafios. “Fazíamos nossa própria comida e a água mineral foi a que levamos, mas tivemos que pegar mais no poço da região. Não existia nenhum tipo de refrigeração, então também não tinha geladeira para manter os alimentos. Levamos um freezer cheio de gelo e enquanto, ele aguentasse, tínhamos comida refrigerada”, comenta, salientando que não era possível comer carne, por conta desse fator. “Durante a missão, várias pessoas tiveram gastroenterite, o que é esperado, pois não existe nenhum tipo de saneamento básico na região. Não existe água encanada, encanamento, esgoto ou quaisquer serviços a que estamos acostumados”, explica.
Missão: cuidar

Na Missão Amazônia IV, foram realizados atendimentos em várias áreas. “Estivemos em todas as nove vilas daquela região. Acordávamos às 6h30 e seguíamos até as 18h30”, destaca Jéssica, lembrando que também ocorreram atividades religiosas, já que o Instituto Una é ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia. “A Amazônia é uma região muito explorada por sua beleza e riqueza natural. Por conta disso, há muita exploração do povo ribeirinho, que na grande maioria das vezes vive praticamente na miséria, com pouquíssimos recursos. Tudo para eles é de difícil acesso”, pontua. “Para buscar um atendimento na área da saúde, é preciso andar várias horas de barco. Isso se aplica também para a busca de alimentos, mantimentos, ou até mesmo alguém que esteja doente”, afirma, destacando que o objetivo é mostrar que na região amazônica não existe apenas o que é mostrado. “Por trás disso, há um povo que sofre, sobrevive dia a dia, e luta por um novo amanhã, que é o que estamos indo proporcionar”, enfatiza.
O aprendizado: valorizar tudo e todos

A missão deixou saudades, lembranças e várias lições. “Acredito que fomos para servir e retornamos cheios. Foi uma troca maravilhosa, que deixou saudade. Os ensinamentos foram vários, principalmente em relação a como levamos a nossa vida. Eles não têm nada, absolutamente nada, mas são imensamente gratos e felizes. São amor da cabeça aos pés e não reclamam. Vivem seus dias plenamente, agradecendo a Deus por tudo, mesmo em meio à fome e à necessidade”, salienta a enfermeira. “Eu via o amor nos olhos deles de uma forma inesquecível. Eu agradecia o tempo todo a Deus e por tudo, ora por possuir um banheiro, ora por ter água encanada. É o momento onde valorizamos tudo e todos”, ressalta, contando que a presença da natureza é muito forte. “Era como se vivêssemos dentro de uma pintura. Não tem como não acreditar no poder de Deus”, comenta, relembrando a emoção na hora de ir embora. “Todos nós choramos ao deixá-los. Nosso coração ficou lá, em meio à floresta e seus habitantes, humanos e animais. Lembro de uma cena muito forte no último dia, que foi a despedida. Um deles nos colocou que não tivéssemos pena deles, pois eles eram muitíssimo felizes por viver ali. Que, embora nos achássemos que eles não tinham nada, eles tinham tudo. E eles realmente têm tudo!”, comenta.
Como ajudar?

A Missão Amazônia V ainda precisa de apoio. Por isso, o Instituto Una tem várias formas de contribuir com o objetivo de agir na vulnerabilidade das famílias daquela região, buscando levar qualidade de vida e auxílio. Assim, qualquer pessoa pode participar, mesmo sem uma formação específica, já que são realizadas atividades em diversas áreas de atuação. As inscrições estão abertas no site da instituição, através do qual também podem ser feitas contribuições. Já doações em dinheiro devem ser encaminhadas através de uma “vaquinha” online.
A maior necessidade está relacionada a atendimentos de saúde em geral, alimentação, orientações sobre cuidados básicos de saúde, higiene pessoal e manutenção da saúde.
Conheça o Instituto Una

O Instituto Una é organização não governamental, sem fins lucrativos, que visa levar qualidade a pessoas em vulnerabilidade social. A instituição busca atender todos os tipos de necessidades. Atualmente, os principais trabalhos são com moradores de rua, famílias e crianças carentes, comunidades urbanas e ribeirinhas. Fundado no Rio Grande do Sul, o Una temos como foco levar o amor altruísta de Deus onde os voluntários forem chamados.
Fotos: Divulgação/Instituto Una
Entre no nosso canal no WhatsApp e receba todas as notícias na palma da sua mão -> Acesse aqui, é gratis!






